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“Quando o brasileiro vira preconceito contra o próprio brasileiro”

Muitas regiões do próprio Brasil discriminam os seus e menosprezam a própria cultura.

Debocham do sotaque, da maneira de vestir, da forma como alguém come — ou até do que come.

Entre piadas e “brincadeiras”, vão, sutilmente, diminuindo pessoas cuja história é repleta de lutas, altos e baixos, marcadas por resistência e superação. Histórias que, muitas vezes, não são vistas — ou pior, são ignoradas.

Esse comportamento, disfarçado de humor, carrega preconceito. Não é leve, nem inocente. É uma forma de exclusão que fere identidades e apaga trajetórias.

No fundo, quem menospreza o outro pode estar lidando com dúvidas sobre a própria trajetória. E talvez seja exatamente por isso que tenta enfraquecer o outro: como uma forma de compensar inseguranças internas. Ao atacar quem julga “fraco”, acaba revelando sua própria fragilidade.

Valorizar a diversidade cultural dentro do Brasil é reconhecer que cada sotaque, cada costume e cada forma de viver têm valor. São expressões de identidade, de história e de pertencimento.

O que para alguns vira motivo de piada, para outros é raiz. E raiz não se apaga — se respeita.

Lia Rodrigues

Lia Rodrigues é professora de Educação Infantil e escritora independente. Mulher quilombola nascida no Quilombo de Santana, em Conceição da Barra, interior do Espírito Santo, cidade praiana marcada por forte riqueza cultural. Em sua escrita, aborda temas diversos, trazendo reflexões sobre a vida, superação, educação, identidade e as experiências que atravessam o cotidiano.